"Não ande atrás de mim, talvez eu não saiba liderar. Não ande na minha frente, talvez eu não queira seguí-lo. Ande ao meu lado, para podermos caminhar juntos."

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Mulher escolarizada demais prejudica a nação, afirma rabino

O rabino Zvi Tau, de Israel, escreveu que a mulher não deve ser escolarizada demais, receber educação formal, para não “prejudicar a qualidade de vida da nação”. 

Zvi Tau disse que deus decidiu
que mulher tem de ficar em casa

Para ele, deus determinou que o “habitat natural” da mulher é dentro de casa, onde ela pode expressar “as suas qualidades especiais e viver sua vida plenamente”. 

Não se trata de um rabino qualquer. Ele é um dos principais mentores do nacionalismo religioso, cujas interpretações do Torah estão próximas das dos judeus ultraortodoxos. 

As afirmações constam em um documento de circulação interna que vazou para o jornal Haaretz. 

Ele argumentou que as mulheres não são discriminadas e o que ocorre é que o espaço dela é outro em relação ao dos homens, de acordo com a vontade divina. 

Afirmou que as mulheres, por serem mais emocionais, devem ficar longe das “profundezas da ciência e da moralidade”, dedicando-se a dar à luz e criar os filhos. “É a vocação dela.”

Fonte: Jornal de Notícias, diHITT  por Paulo Lopes

A história da inquisição no Brasil

Entre os séculos 16 e 18, a Inquisição investigou a Colônia. Prendeu mais de mil pessoas e mandou 29 para a fogueira. Seu maior alvo foram os cristãos-novos

 “Arrependo-me e peço perdão porque pequei.”

Pela primeira vez em dois anos de martírio, Guiomar Nunes disse o que os inquisidores queriam ouvir. A multidão reunida na praça do Comércio, em Lisboa, na tarde de 17 de junho de 1731, gritava contra os hereges, enfileirados diante de um palanque, onde se encontravam autoridades políticas e religiosas. Diante de 3 mil pessoas eufóricas, um a um, os sete réus foram chamados à contrição uma última vez. Acusada de judaísmo, a pernambucana entre eles resistiu muito antes de confessar. Enfrentara interrogatórios duríssimos na prisão. Suas palavras derradeiras, porém, não bastaram para o Tribunal do Santo Ofício. O inquisidor se ajoelhou no tablado montado para a ocasião e, enquanto os auxiliares retiravam-lhe a capa e o barrete, os condenados eram aspergidos com água benta. Em seguida, receberam suas sentenças. Aos 47 anos, Guiomar foi garroteada – estrangulada com uma espécie de torniquete -, e seu corpo, consumido no meio da praça por chamas de até 6 m de altura. Ao pedir perdão, conseguiu evitar que fosse queimada viva. Do outro lado do Atlântico, no Engenho de Santo André (na atual Paraíba), o vendedor de latas Luís Nunes de Fonseca acabara de se tornar viúvo, com oito filhos do casal para criar. 

Guiomar morreu em Portugal porque o Brasil não torturou ou fez arder seus hereges em fogueiras. Mas ela foi delatada e presa em um processo iniciado por aqui. E não foi a única. Por mais de 200 anos, a Inquisição católica atuou nas terras da América portuguesa. Estimulou delações e criou um clima de terror nas principais cidades por meio dos temidos visitadores e de auxiliares locais, integrantes do clero. Prendeu e enviou para a Europa pessoas que dificilmente voltavam à terra natal. Quem não foi condenado ao degredo e perdeu todos os bens acabou, como se dizia na época, purificado pelo fogo. A exemplo de Guiomar e dos outros condenados queimados com ela, que nem sequer puderam ser enterrados, suas cinzas foram espalhadas ao vento.

A capital baiana e outras cidades receberam os visitadores com procissões (ilustração: Kléber Sales)

Cristãos-novos

À frente da União Ibérica, o rei Filipe IV bem que tentou instalar um tribunal do Santo Ofício no Brasil, em 1623, mas não teve autorização da Igreja e desistiu diante das invasões holandesas no Nordeste. Entre os séculos 15 e 16, com a ocupação de colônias na Ásia e nas Américas, Portugal e Espanha empenharam-se em retomar as perseguições que marcaram a Idade Média. O objetivo era garantir que as novas terras se tornassem obedientes à fé europeia e controlar com rédea curta a crescente população de cristãos-novos (descendentes de judeus convertidos). 

A chamada Inquisição medieval teve características distintas. Começou no século 13 (com precedentes no século anterior), agiu principalmente na França e na Itália e perseguiu quem discordava dos dogmas do catolicismo ou desrespeitava suas estritas normas de conduta. No século 15, porém, no auge do Renascimento, a atuação dos inquisidores era decadente. Após pressionar muito o papa, a Espanha conseguiu recriar o tribunal, em 1478, e Portugal, em 1536. Estava inaugurada a Inquisição moderna. Os espanhóis instalaram tribunais em cidades centrais de suas colônias: Cartagena, Lima e Cidade do México. Os portugueses conseguiram fazer isso apenas na mais distante: Goa (na atual Índia). 

“Os judeus, em princípio, não podiam ser perseguidos pela Inquisição, que investigava apenas as pessoas batizadas. Mas, depois de forçados à conversão, seus descendentes eram investigados até mesmo dez gerações depois. Era racismo mesmo”, diz o historiador Bruno Feitler, autor de Nas Malhas da Consciência – Igreja e Inquisição no Brasil. Os cristão-novos eram estigmatizados e perseguidos havia pelo menos três séculos. Com o surgimento de colônias afastadas dos centros de poder, muitos deles preferiram se mudar (ou foram expulsos), o que causou preocupação nas autoridades locais, que temiam a retomada de práticas judaicas. Considerada a primeira professora do Brasil, Branca Dias foi vítima desse cenário. Denunciada pela mãe e pela irmã (possivelmente sob tortura) ainda em Portugal, ela respondeu às acusações de judaísmo, cumpriu pena de dois anos de prisão e depois imigrou com o marido para Pernambuco, onde foi investigada mais uma vez – mesmo vários anos depois de morta, em 1558. Acabou condenada, assim como suas filhas e netas (elas, sim, estavam bem vivas…). 

Com a atuação nas metrópoles e no além-mar, esse segundo momento da Inquisição foi marcado por um controle muito maior do Estado, que sustentava os tribunais e se responsabilizava por organizar os autos de fé, as grandes simulações do Juízo Final. Invariavelmente, as fogueiras eram acesas, os hereges, queimados (vivos, mortos ou na forma de bonecos, as efígies), e o povo festejava madrugada adentro. No Brasil, os representantes do Tribunal do Santo Ofício eram as autoridades eclesiásticas locais, que tinham autonomia para identificar casos de desobediência à fé, realizar investigações preliminares e prender os suspeitos, remetidos para Lisboa, onde o processo era concluído. Essa estrutura funcionou entre os séculos 16 e 18. A sede podia estar distante, mas a Inquisição mostrou sua força bem de perto, especialmente quando enviou funcionários para visitas pessoais a algumas áreas cruciais da Colônia. 

Visitações 

Era um grande acontecimento. O desembarque do emissário mobilizava a população e fazia multiplicar as procissões. Acompanhado de um séquito de dezenas de pessoas, o visitador era instalado em algum casarão central, onde o governador-geral, funcionários de alto escalão, juízes, bispos, vigários e missionários passavam para o beija-mão. Em 1591, a recepção ao primeiro dos quatro enviados parou Salvador: “Heitor Furtado (de Mendonça) veio debaixo de um pálio de tela de ouro e, adentrando a Sé, ouviu renovados votos de louvor à sua pessoa e ao Santo Ofício. Dirigiu-se então à capela-mor, após a leitura da constituição de Pio V em favor da Inquisição, onde estava posto um altar ricamente adornado com uma cruz de prata arvorada, e quatro castiçais grandes, também de prata, com velas acesas, além de dois missais abertos em cima de almofadas de damasco, nos quais jaziam duas cruzes de prata. Em meio a todo esse luxo, o visitador rumou para o topo do altar, sentou-se numa cadeira de veludo trazida pelo capelão e recebeu o juramento do governador, juízes, vereadores e mais funcionários, todos ajoelhados perante o Santo Ofício”, descreve o historiador Ronaldo Vainfas. Sabe-se que Mendonça chegou preocupado – tinha lido um texto em que o padre Antônio Vieira dizia que, no Brasil, “não se guarda um só mandamento de Deus e muito menos os da Igreja”. 

O início das visitas marcava o Tempo da Graça, período de até 60 dias em que todas as pessoas eram “convidadas” a se manifestar. Nas ruas eram afixadas cópias do monitório, documento que listava os “crimes” sujeitos a investigação, incluindo blasfêmias, sacrilégios e, claro, transgressões sexuais e judaísmo. “Quanto mais rápido a pessoa se apresentava, menos suspeitas levantava contra si”, diz Fernando Vieira, professor da Universidade Católica de Brasília. A essa altura, a festa dava lugar à tensão. Como as denúncias eram anônimas, aquele era o momento ideal para vinganças. Uma mulher trocada pelo marido, por exemplo, poderia denunciá-lo por bigamia (também há casos de denúncias de homens abandonados pela mulher). Um comerciante passado para trás nos negócios era capaz de sugerir que o concorrente praticava o judaísmo. Escravos denunciavam os seus senhores por sodomia. Na medida em que as acusações se acumulavam, os suspeitos eram levados para diante do visitador. Nem sempre sabiam qual o suposto crime. “No século 17, um homem acusado de homossexualismo confessou judaísmo porque achou que esse era o motivo da denúncia. Acabou julgado pelos dois”, afirma Feitler. 

Muitas vezes, amigos entregavam uns aos outros e familiares eram forçados a voltar-se contra um parente. Foi o que ocorreu com Ana Rodrigues, a primeira moradora do Brasil condenada à fogueira (leia essa e outras histórias a partir da pág. 30). “A chegada do visitador causava um descontrole nas relações sociais”, diz o historiador Angelo Assis, professor da Universidade de Viçosa. O barbeiro Salvador Rodrigues foi acusado de sodomia pelos próprios irmãos na Belém de 1661. O inquérito levantou uma vasta rede de contatos homossexuais e acabou punindo outras pessoas na cidade. 

Tradicionalmente, são citadas três visitações ao Brasil. A primeira, entre 1591 e 1595, passou por Bahia, Pernambuco, Itamaracá e Paraíba, num momento em que a União Ibérica enviava vários inquisidores às suas colônias. A segunda, de 1618 a 1621, a cargo de dom Marcos Teixeira, voltou à Bahia, dessa vez com maior foco na busca por cristãos-novos. A terceira, de 1763 a 1769, visitou a província do Grão-Pará e Maranhão e ficou sediada em Belém. As motivações dessa última não estão muito claras, mas a explicação mais comum é a de que ela funcionou para prover suporte ao novo governo local e para mudar a direção da Igreja na região – o visitador, Giraldo José de Abranches, chegou com o novo governador-geral, Fernando da Costa de Ataíde Teive, e acumulou o posto de novo bispo da província. De toda forma, em nenhum outro lugar foram investigados tantos curandeiros e feiticeiros quanto naquelas paragens. 

Dúvidas 

Os arquivos dessas investigações ainda não são totalmente conhecidos. Localizados na Torre do Tombo, em Portugal, eles citam 40 mil nomes de pessoas perseguidas, mas sem classificação por local de nascimento. Tampouco está claro se essas foram as únicas visitações. Recentemente descobriu-se outra, entre 1627 e 1628, que passou por Rio de Janeiro (onde o visitador Luís Pires da Veiga foi ameaçado de apedrejamento pela população), São Paulo e São Vicente. “Com certeza, há visitações das quais ainda não se encontraram os livros, fora aqueles que se perderam em naufrágios”, afirma Assis. 

O certo mesmo é que a Inquisição teve grande impacto na vida da Colônia. “A ação inquisitorial se fez sentir em todo o Brasil desde o início da colonização até o século 18, mesmo em capitanias que nunca receberam visitações, como Minas Gerais e Ceará”, afirma a historiadora Marcia Eliane Souza e Mello, professora da Universidade Federal do Amazonas. Tanto isso é verdade que há registros de processos antes da primeira visitação. Já em 1546, o donatário da capitania de Porto Seguro, Pero do Campo Tourinho, foi denunciado por ter afirmado que, em suas terras, ele era o “papa” e que trabalhador nenhum tiraria folga nos domingos e dias santos. Ao longo da década de 1550, em Salvador, o bispo dom Pedro Fernandes Sardinha, o primeiro do Brasil, exerceu funções inquisitoriais. 

Bispos, padres, missionários, todos os membros da Igreja eram orientados a observar os costumes de seus fiéis e encaminhar os casos suspeitos para instâncias superiores. Mas a rede do Tribunal do Santo Ofício era mais vasta: havia representantes locais escolhidos no clero, os “comissários”, que tinham a obrigação de circular pela região com os olhos (e ouvidos) bem abertos. E contavam com a ajuda de informantes, os “familiares”, homens influentes que conseguiam da Igreja um certificado de que tinham boa conduta e “sangue puro”, intocado por antepassados judeus (o poeta Cláudio Manoel da Costa, por exemplo, foi recusado por “suspeita de sangue”). Os “familiares” acompanhavam as prisões e o confisco de bens determinado pelos comissários, às vezes antes mesmo da conclusão dos processos. A Quaresma era estratégica: todos os habitantes tinham o dever de confessar os pecados – e de entregar os alheios, sob pena de responder como cúmplices. 

As grandes cidades foram as mais visadas. Minas Gerais, no auge da mineração, foi alvo preferencial. Assim como o Rio de Janeiro, na medida em que crescia em importância. No fim das contas (ao menos das disponíveis), veio de lá a maior parte dos acusados. “Rio e Minas, principalmente no século 17, tinham um importante número de representantes inquisitoriais. Mas há vítimas espalhadas por boa parte do país, como no Espírito Santo, no Piauí e em Goiás”, diz a historiadora Anita Novinsky, da USP. Só na Paraíba, no século 18, 50 pessoas do mesmo círculo familiar foram presas, acusadas de manter as esnogas (sinagogas secretas). No Mato Grosso, foram cinco viagens de comissários em busca de casos de feitiçaria. O “mandingueiro” Manoel Francisco Davida não escapou. 

Técnicas de investigação 

Sobretudo nos inquéritos por judaísmo, era comum os acusados se comprometerem por manter tradições como enterrar os mortos em terra virgem e certos hábitos à mesa. O capelão do inquisidor geral em Portugal, Andrés Bernardez, recomendava: “Existe uma forma judaica de cozinhar e comer, a que todos devemos estar atentos. Eles preparam seus pratos, principalmente a carne, com muito alho e cebola, fritando-os ao invés de assá-los ou utilizar a banha de porco”. Na Bahia de 1560, a mucama de Joana Fenade a denunciou por “fritar cebolas em óleo e jogá-las numa panela com carne para todos comerem”. 

É verdade que a Inquisição foi muito mais mortal em outras praças (veja à dir.), mas isso não diminui o rastro de medo deixado no Brasil. De toda forma, ela legou aos historiadores relatos preciosos sobre o cotidiano da Colônia até cerca de 1768, quando o Tribunal do Santo Ofício português foi transformado em tribunal régio (no contexto das reformas do marques de Pombal), o que esvaziou sua atuação. A extinção formal ocorreu em 1821. Os processos reproduzem hábitos religiosos, alimentares, sexuais… As toneladas de papel arquivadas no Tombo apresentam da genealogia detalhada das famílias envolvidas às traições nos casamentos. “É um acervo riquíssimo e ainda não totalmente investigado”, diz Novinsky. 

Infelizes condenados

Algumas das vítimas dos visitadores e dos representantes da inquisição 

Ana Rodrigues 

A cristã-nova era uma octagenária quando foi presa, na Bahia, em 1593, acusada de judaísmo. Morreu na cadeia, em Lisboa, e ainda assim foi punida: seus ossos foram incinerados após dez anos. Era a primeira prisioneira da colônia levada à fogueira. 

Bento Teixeira 

Um dos primeiros poetas do Brasil, o português fugiu para Pernambuco após matar a esposa. Sua biografia é nebulosa, mas, em 1594, foi intimado pelo visitador Heitor de Mendonça, acusado de judaísmo. Foi condenado em Lisboa, mas acabou libertado. 

João Fernandes 

Foi delatado por amigos na cidade de Olinda, com 20 anos de idade, em 1594. Admitiu ter tido “ajuntamento carnal nefando e sodomítico” em uma rede com Bartolomeu Pires, filho do ferreiro da região. Foi denunciado em praça pública, mas seu destino é desconhecido. 

Antonio de Gouveia 

Ordenado sacerdote, o açoriano virou jesuíta. Foi desligado da ordem ao ser acusado de praticar necromancia. Preso, acabou desterrado para Pernambuco, onde foi detido de novo, em 1571, por manter as “atividades mágicas” com mortos. 

Feliciana de lira Barros 

Nascida no Pará, era costureira e cristã-velha. Viúva aos 36 anos, foi processada por sodomia, denunciada por vários parentes, em 1763. Foi levada a Portugal para julgamento, mas não se sabe exatamente o que aconteceu com ela depois disso. 

Manuel lopes de Carvalho 

Foi um dos poucos brasileiros queimados vivos. Nasceu na Bahia e ordenou-se padre. Defendia a união entre o cristianismo e o judaísmo. Na prisão, chegou a dizer que seria ele o messias. Morreu em 1726. 

Antonio José da Silva 

Conhecido como “o Judeu”, nasceu no Rio de Janeiro, em 1705. Estudou direito em Coimbra e escreveu peças que ironizavam a sociedade portuguesa. Foi preso com a mãe e a esposa em 1737. Condenado, pediu perdão e, por isso, foi morto antes de ser queimado, em 1739. 

Saiba mais 

LIVROS 

Inquisição: Prisioneiros do Brasil, Anita Novinsky, Expressão e Cultura, 2002. 

O mais completo levantamento sobre o assunto, com estudos de caso e estatísticas. 

Inquisição em Xeque: Temas, Controvérsias, Estudos de Caso, Ronaldo Vainfas, Bruno Feitler e Lana Lage da Gama (orgs.), Ed. Uerj, 2006. 

Somatória de artigos que analisam a Inquisição no Brasil em vários aspectos. 

O Diabo e a Terra de Santa Cruz, Laura de Mello e Souza, Companhia das Letras, 1986. 

Até hoje uma relevante obra de referência sobre os hábitos dos habitantes da colônia que foram perseguidos. 

A inquisição… 

– Investigou 1076 pessoas no brasil e condenou 29 à fogueira (vivas, depois de mortas ou queimadas em efígie). 

– Foram 778 homens e 298 mulheres processados, sendo que… 46,13% dos homens e 89,92% das mulheres foram acusados de judaísmo 

– 38% dos homens e 8% das mulheres foram denunciados por realizar feitiçaria ou pactos com o demônio 

– O restante foi enquadrado nas outras heresias, em especial bigamia e sodomia 

– Do total de investigados, 27,76% eram mercadores e agricultores, contra 12,86% de artesãos 

Outros Tribunais 

Em Portugal, foram… 

– 29 590 investigados 

– 2 441 condenados à fogueira 

Em Goa, foram… 

– 3 800 investigados 

– 42 condenados à fogueira 

Fonte: Anita Novinsky, dados localizados nos arquivos da Torre do Tombo. período de 1536 a 1821

Por: Tiago Cordeiro, Controvérsia

Liberdade

E pensei

E pensei, pensei pensei. Mas simplesmente não tinha com o que continuar, então não cheguei a uma resolução. Tinha dúvidas enormes quanto à idéia de um deus, mas não sabia o bastante sobre nada para ter um bom modelo de qualquer outra explicação, para, bem, a vida, o universo, e tudo o mais que pudesse colocar em seu lugar. Mas insisti, e continuei lendo e continue pensando. Em algum ponto por volta dos trinta e poucos anos, tropecei na biologia evolutiva, especialmente na forma dos livros O gene egoísta e depois O relojoeiro cego, de Richard Dawkins, e de repente tudo se encaixou. Era um conceito de uma simplicidade impressionante, mas ele fez surgir, naturalmente, toda a infinita e desconcertante complexidade da vida. O maravilhamento que ele me inspirou fez o maravilhamento da experiência religiosa, de que as pessoas tanto falam, parecer francamente tolo. Não hesitaria um segundo em trocar o maravilhamento da ignorância pelo maravilhamento da compreensão.
por: Douglas Adams
Veja entrevista 
Fonte: Deus, um delírio –  de Richard Dawkins, pág. 159

 

A feiticeira

A feiticeira passa anos lutando

Lutando contra todos os tipos demônios

Demônios de outros planos, seres desconhecidos

Mas será que a feiticeira vence a luta contra o pandemônio

Ou apenas existem demônios vivos, mas nenhum falecido?

Ou será que o satanás existe apenas na medrosa imaginação

E a luta da bruxa é para desvencilhar o indivíduo de sua tenebrosa ilusão?

Ou os diabinhos são a fonte de renda da feiticeira

Que os vende às pessoas inseguras, escravas de estranhas adivinhadeiras?

Independente da fonte, as batalhas são intensas e recheadas de adornos

Ervas, velas, sal grosso, frutas, rezas e sacrifícios enriquecem o seu entorno

Os quais deixam os possuídos ainda mais amedontrados

Pois em tal momento, sua limpeza e as aberturas do futuro, estão sendo selados

E a feiticeira, ora lúcida, ora em êxtase, canta suas orações

Para seguir lutando contra todos os tipos de aflições

Tanto as verdadeiras quanto as mais hilariantes invenções

Enquanto o ser humano, ora com medo, ora com receio

Participa curioso e esperançoso de tão ornamentado recreio

Para que seja eficaz o ritual e se efetue o prometido desbloqueio

E no final, a feiticeira exalta o seu magnífico e contagiante floreio

E o ser humano vai para casa contente, aliviado e faceiro.

Cargnin dos Santos

Preconceito: Bento XVI e as ameaças contra a humanidade

O papa Bento XVI disse que o casamento homossexual “ameaça o futuro da humanidade”.

Eu pensava que o que o ameaçava eram as guerras (muitas delas étnicas ou religiosas), a fome, a miséria econômica, a desigualdade e as injustiças sociais, a violência, o tráfico de drogas e de armas, a corrupção, o crime organizado, as ditaduras de todo tipo, a supressão das liberdades em diferentes países, os genocídios, a poluição ambiental, a destruição das florestas, as epidemias… Porém o papa, mesmo ciente de todos esses males e consciente de que sua instituição – a igreja católica apostólica romana – contribuiu com muitos deles ao longo da história ocidental,  disse que a humanidade é ameaçada pelo fato de dois homens ou duas mulheres se amarem e, por isso, decidirem construir um projeto de vida comum e obter o reconhecimento legal dessa união para gozar de direitos já garantidos aos heterossexuais.

O amor e a felicidade como ameaças contra a humanidade: foi o que afirmou Bento XVI.

O amor, uma ameaça?!

Dentre todos os desatinos do papa, este foi o que mais me chocou. Talvez porque sua afirmação estapafúrdia e anacrônica tenha violado diretamente a minha dignidade humana de homossexual assumido e orgulhoso de minha orientação sexual e de minha formação científica (sim, porque a afirmação de Bento XVI parte da crença absurda de que o casamento civil igualitário vai transformar todos os homens e mulheres em homossexuais e vai impedir que todas as mulheres da Terra recorram às técnicas de reprodução artificial).

Ora, o amor, como a fé, é inexplicável:  sente-se ou não. Não há dicionário que possa defini-lo; só o poeta pode dizer alguma coisa a respeito — fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente — mas para entendê-lo é preciso sentir tudo aquilo que o papa, os cardeais, os bispos e os padres, pelas regras do trabalho que escolheram desde jovens, são proibidos de sentir – seja por outro homem, seja por uma mulher.

Talvez por isso eles não entendem.

Mas o amor nunca poderia ser uma ameaça para a humanidade; antes, sim, uma salvação para os seus piores males, um antídoto contra os venenos que a intoxicam, uma vacina contra as doenças que a afligem. O papa está errado de cabo a rabo. Ele não entendeu nada mesmo.

Contudo, mesmo não entendendo, ele deveria ter um pouco de responsabilidade. Suas palavras têm poder, influência, entram na cabeça e no coração de milhões de pessoas no mundo inteiro. Ele poderia usá-las para fazer o bem. Em vez de dedicar tanto tempo e esforço a injuriar os homossexuais — eu confesso que não consigo entender o porquê dessa obsessão que ele tem com a gente — o papa poderia se colocar na luta contra os verdadeiros males que ameaçam, sim, a humanidade. Esses que matam milhões, que arruínam vidas, que condenam povos inteiros.

Bento XVI não pode continuar difundindo o ódio e o preconceito contra os gays. Ele não pode dizer que nós, só por amarmos, só por reclamarmos que o nosso amor seja respeitado e reconhecido, somos “uma ameaça”. Aliás, porque esse tipo de frases têm uma história. “Os judeus são a nossa desgraça!” (“Die Juden sind unser Unglück!”), disse o historiador Heinrich von Treitschke, e essa desgraçada expressão, publicada na revista alemã Der Sturmer e logo usada como lema pelos nazistas, deu no que deu. Nós, homossexuais, também sabemos disso: o nosso destino na Alemanha nazista, onde Bento XVI passou sua juventude, era o mesmo dos judeus, só que em vez da estrela de Davi, o que nos identificava noscampos de concentração era o triângulo rosa.

A tragédia do nazismo deveria ter servido para aprender que o outro, o diferente, não é uma ameaça, nem uma desgraça, nem o inimigo. E nós, homossexuais, não ameaçamos ninguém. O nosso amor é tão belo e saudável como o de qualquer um. E merecemos o mesmo respeito e os mesmos direitos que qualquer um.

Da mesma maneira que acontece agora com o “casamento gay”, o casamento entre negros e brancos — chamado, na época, “casamento inter-racial” — já foi considerado “antinatural e contrário à lei de deus” e uma ameaça contra a civilização. Numa sentença de 1966, um tribunal de Virgínia que convalidou sua proibição usou estas palavras: “Deus todo-poderoso criou as raças branca, negra, amarela, malaia e vermelha e as colocou em continentes separados. O fato de Ele tê-las separado demonstra que Ele não tinha a intenção de que as raças se misturassem”. O casamento entre alemães “da raça ária” e judeus também foi proibido por Hitler. Até os evangélicos tiveram o direito ao casamento negado em muitos países durante muito tempo, porque eram, também, uma ameaça para a igreja católica. Parece que alguns pastores não se lembram, mas foi assim.

Na Argentina, que em 2010 aprovou o casamento igualitário, a primeira grande reforma ao Código Civil, no século XIX, foi impulsionada pela demanda dos protestantes, que reclamavam o direito a se casar. Vários casais não católicos se apresentaram na Justiça, como agora fazem os homossexuais. Quando o país aprovou a lei de criação do Registro Civil e, depois, o matrimônio civil, em 1888, houve graves enfrentamentos entre o governo argentino e a Igreja Católica, que incluíram a quebra das relações diplomáticas com o Vaticano. No Senado, um dos opositores ao matrimônio civil disse que, a partir de sua aprovação, perdida a “santidade” do matrimônio, a família deixaria de existir. A lei foi chamada de “obra-mestra da sabedoria satânica” por monsenhor Mamerto Esquiú, quem disse sobre os governantes argentinos da época que “amamentam-se dos peitos da grande prostituta, a Revolução Francesa”. Todas a predições apocalípticas que foram feitas contra a lei de matrimônio civil, no entanto, não se cumpriram. Anunciaram, garantiram que o mundo ia se acabar…  mas o mundo não se acabou.

Passou-se mais de um século, mas as discussões são as mesmas. Os argumentos são os mesmos. E o papa Bento XVI continua sem entender. Não entende, tampouco, que o casamento civil e o casamento religioso são duas instituições diferentes. O casamento civil está regulamentado pelo Código Civil, que pode ser modificado pelo Congresso, já o casamento religioso depende das leis de cada igreja: por exemplo, o casamento católico é diferente do casamento judeu.

O casamento religioso é feito na igreja, templo, mesquita ou terreiro; o civil, no cartório. Para celebrar o casamento religioso na igreja católica, os noivos devem ser batizados ou fazer um juramento supletório do batismo e devem realizar um curso prévio na igreja – o que não é necessário para o casamento civil, que pode ser celebrado por pessoas de qualquer religião ou por ateus. O casamento religioso, na maioria das igrejas cristãs, é indissolúvel – já o civil admite o divórcio.

Em conseqüência, uma pessoa pode se casar na igreja apenas uma vez na vida, mas pode casar quantas vezes quiser no cartório, desde que seja divorciada. O casamento religioso, para que produza efeitos jurídicos, deve ser registrado no cartório – os efeitos jurídicos do casamento civil são imediatos. E essas são apenas algumas das muitas diferenças que existem entre o casamento civil e o religioso…

O que nós, homossexuais, reclamamos é o direito ao casamento civil. O projeto de emenda constitucional (PEC) que estou impulsionando no Congresso não mexe em nada com casamento religioso, cujos efeitos jurídicos são reconhecidos no art. 226 § 2 da Constituição, que se manterá inalterado. Meu projeto legaliza o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, mas nada diz sobre o casamento religioso. Da mesma maneira que o Estado não deve interferir na liberdade religiosa, as religiões não devem interferir no direito civil. Este último é uma instituição laica, que deve atender por igual as necessidades daqueles e daquelas que acreditam em deus — em qualquer deus ou em vários deuses — e também daqueles e daquelas que não acreditam.

Chegará o dia no qual uma criança irá à biblioteca da escola para procurar, nos livros de história, alguma explicação sobre um fato surpreendente que o professor comentou em sala de aula: “Até o início do século 21, o casamento entre dois homens ou duas mulheres não era permitido”. Para o nosso pequeno cidadão, essa antiga proibição resultará tão absurda como hoje nos resulta a proibição do casamento entre negros e brancos, ou do voto feminino. E se ele descobrir, na biblioteca, que houve um dia em que um papa disse que o casamento gay ameaçava a humanidade, provavelmente sentirá a mesma repulsa que nós sentimos ao lermos a desgraçada frase de von Treitschke.

Bento XVI deveria pensar se ele quer passar à história dessa maneira. Ainda está em tempo.

Tomara que algum dia ele seja capaz de entender e aceitar o amor — qualquer maneira de amor e de amar — e fazer aquilo que jesus cristo pregava: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”.

Por  Jean Wyllys, Deputado Federal

Prevenção para não cair em armadilhas religiosas

Este artigo tem como base alertar as pessoas que buscam locais com a necessidade de ritualizar, seja uma cerimônia, seja um evento comemorativo espiritualista.

Antes do desejo devemos obter algumas referências, comece pelo nome da instituição e verifique se o nome é condizente com suas práticas, uma casa de nome cristão tem que focar seus ensinamentos no cristianismo, tal como uma casa de nome kardecista foca no espiritismo, desconfie de casas que não tem um direcionamento claro, isto é sinônimo de confusão filosófica e que na maioria das vezes causa mais conflito do que unidade.

Verifique se o dono da instituição necessita em seu discurso reivindicar uma ancestralidade/ título que não lhe pertence, tal como pajé, arcanjo, o escolhido, imperador, bispo, entre outros termos que possam representar sua divindade na Terra.

Analise a árvore pelos frutos, se sentir no local um clima estranho entre as pessoas, tal como se elas copiassem até os trejeitos do líder, expressão facial e fala são um grande indício de lavagem cerebral e por conseqüência tendência a violência, intimidação e fanatismo.

Verifique se existe uma tendência a malevolência, a criminalidade, a opressão, críticas ao livre pensamento e falta de liberdade, o excesso de regras mostra também uma falta de consciência na comunidade.

Trabalhos de “Luz” não restringem eles libertam, o termo luz é usado como uma interação desta realidade com a emanação de energia do astral, contudo o termo revela ação sábia. Verifique se há sabedoria ou apenas uma repetição de palavras (papagaísmo).

Desconfie de casas que confundem o dispositivo psicológico do Ego com a não aceitação dos Dogmas do Local, diante da não concordância se retire de forma educada, caso seja impedido de sair questione os motivos, sendo estes incabíveis e ainda houver manifestação ditatorial procure ajuda policial, manter pessoas contra a vontade é violar os direitos civis e ferem as leis sendo cabível processo criminal e civil.

Não preencha ou assine qualquer documento sem a devida leitura, uma instituição religiosa não pode colocar restrições quanto a idade, raça, orientação sexual tal como não pode colocar em situação constrangedora e depreciativa.

Tome cuidado com as questões dos abusos financeiros, as pessoas ficariam chocadas diante das diversas técnicas para obter ganhos financeiros no mundo religioso, estes dispositivos vão da leitura da bíblia até a necessidade de cursos pagos para freqüentar o local.

Existe uma frase americana que diz: “Não existe almoço grátis” desconfie de locais gratuitos, a vida é baseada em troca, existem probabilidades mais custosas que a simples moeda.

Desconfie de líderes religiosos que não ficam a frente de seus trabalhos, ficam em seus lugares geralmente pessoas não preparadas e que podem cometer delitos até mesmo de agressão e isto é mais comum do que se pensa.

Não acredite em locais que dizem serem donos da verdade e não reconhecem a diversidade de crença, sendo estes ainda causadores da intolerância religiosa e atos que ferem com a ética.

Veja se existe um pré-ritual, uma listagem de visita, procedimentos quanto a roupa, alguns grupos são pontuais quanto a dietas e cor de roupas, evite conflitos e discussões, leia e respeite.

E por fim, não faça expectativas, expectativa gera decepção em muitos casos, esqueçam do saudosismo, locais do passado podem mudar assim como pessoas, atualize seus pareceres não ficando preso ao passado.

Queremos desejar a todos boas festas e participem de rituais com a mente aberta, mas com os pés no chão!

Leia mais: Cuidado com as Armadilhas, Cuidado com as Armadilhas II

Fonte: Prevenção para não cair em Rituais Obscuros

 

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