"Não ande atrás de mim, talvez eu não saiba liderar. Não ande na minha frente, talvez eu não queira seguí-lo. Ande ao meu lado, para podermos caminhar juntos."

Resistência

Falsa (moral?) 

Baseada nas crenças predominantes daquela cultura, a moral surge com o intuito de cristalizar as verdades e definir as noções de “Certo” e “errado”. Mas quando é cegamente reproduzida, pode ocasionar efeitos contrários ao seu real objetivo, que seria a convivência harmônica entre os indivíduos de uma mesma sociedade. 

A moral existe. E o indivíduo que nasce naquela cultura, irá reagir a ela, sendo de acordo em algumas coisas, desacordo em outras, mas enfim, sempre a partir de algo pré-formulado. Ou seja, suas atitudes não são ações, são reações, construções. 

A incoerência começa a surgir quando essa reação á moral  é baseada na conveniência e não no conhecimento.

 É mais ou menos assim: Se trair é imoral, mas a vontade é grande, eu me lembro daquele conceito machista de que “homem é assim mesmo” e faço. Depois eu vou ao padre aliviar a minha culpa e acredito no conceito cristão de que “o importante é se arrepender”. No entanto, sou capaz de esquecer rapidamente o machismo, quando chegam as contas e chamo a minha linda esposa pra dividir. E aproveito pra falar mal dos padres pedófilos, no momento em que eles me pedem um trocadinho pra mudar a pintura da igreja.E assim, sempre que eu preciso, eu mudo os meus padrões morais e faço um verdadeiro mix de conveniência. Na verdade, nem sou cristão, nem sou machista, nem sou nada, sou esperto! Isso não se pode negar… 

Isso é o que chamamos de “falsa moral”, ou seja, a utilização de justificativas morais para poder cometer confortavelmente os deslizes e viver de acordo com o que melhor o convém. 

A diferença entre o falso moralista e os demais errantes, é que ele afirma estar dentro dos padrões morais, se acha muito correto. Além de se sentir no direito de julgar os demais. 

Quando na verdade, a moral não existe pra isso. Ela existe para disciplinar uma dada sociedade, de forma que as pessoas tenham um padrão de “certo” e “errado” razoáveis para viver bem em comunidade. 

Alguns vão  copiar os padrões ditos “corretos”, outros irão confrontá-los, outros irão propor mudanças que com o passar do tempo poderão se tornar efetivas, mas todos trabalhando “a partir”  dela e não “a representando”. 

Porque o falso moralista, na verdade se acha o próprio representante da moral, o dono da verdade, mediador entre o certo e o errado. E isso é utópico, portanto, falso. Porque a moral é um padrão não uma realidade praticável em sua plenitude. E nem se faz necessário, porque o próprio exercício de uma conduta moral é subjetivo. Enquanto a moral é objetiva. 

Outra coisa interessante nas pessoas que seguem cegamente alguns preceitos morais, é que elas têm a sensação de que aquilo sempre existiu e sempre existirá. Quando na verdade, muitas vezes aquele preceito nem existia há algumas poucas décadas atrás, ou se existiam, eram abomináveis. E de repente, passou a ser louvável. 

E muitas vezes, uma mesma pessoa, segue crenças opostas e conflitantes, e acreditam estar tendo uma conduta retilínea. Na verdade, por si só, aquelas crenças  não são coerentes nem com elas mesmas. 

Por exemplo, alguém já viu pra vender um são Francisco de Assis com uma manta caríssima e com detalhes em ouro?

E o pior, uma pessoa que se diz devota comprando? Por acaso a pessoa que produziu e principalmente, a que está comprando, conhece os ideais franciscanos? 

Será que alguém já viu uma mãe gritando com o filho e pedindo pra que ele faça silencio? E se questionou a noção de silencio essa criança tem? 

O que se vê muito são campanhas agressivas contra a agressividade, violência para solucionar violências, medos para evitar perigos, individualismos procurando companhias, saudades de quem não quer que volte… E são assim as falsas procuras, falsas soluções, baseadas na falsa moral. 

Pensar antes de falar, conhecer antes de seguir, e fazer silencio na ausência de algo melhor a dizer, faz parte de uma conduta coerente. Seja ela imoral ou não.

Por: Gizelle Saraiva 

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